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Sem malemolência

Alexandre Augusto
Alexandre Augusto

Todo mundo que eu conheço adora dar dicas de viagem. Se você nunca havia prestado atenção nessa característica humana, sugiro um teste. Mande um e-mail para sua lista de amigos dizendo que vai viajar para a Itália ou França. Você vai ver que vão chover sugestões.

“Vai pra Itália? Não deixe de ir num restaurantezinho perto do Vaticano. A comida é simplesmente ma-ra-vi-lho-sa!”.

“Você assistiu Alguém tem que ceder, com Diane Keaton e Jack Nicholson? Então, quando for a Paris, não pode deixar de jantar no Le Grand Colbert. Lá tem um garçom, que é amigo de Olivier Anquier, que adora brasileiros. Mas nem todo taxista conhece o lugar. Anota aí o endereço”.

Eu mesmo sempre tive a maior vontade de mandar minhas sugestões. Mas tem um porém. Não seriam indicações para Paris ou Londres. Minhas dicas teriam de ser obrigatoriamente sobre a Bahia. Afinal de contas, aqui tem praia, tem cachoeira, tem montanha, carnaval... Um bocado de coisa boa misturada. Ou como diz nosso slogan: vários destinos em um só lugar.

Minhas sugestões começariam logo na chegada. Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, o turista percebe que está num lugar diferente. Quem já veio a Salvador sabe exatamente do que estou falando. Do bambuzal que forma um túnel natural no acesso ao aeroporto.

Aproveite a viagem e alugue logo um carro e siga pela Estrada do Coco, pegando em seguida a Linha Verde. Os nomes inspirados dessas rodovias (na verdade BA-099) estão à altura da paisagem, que vai de Lauro de Freitas até Mangue Seco, passando por Arembepe e Praia do Forte. Faço aqui um pequeno parêntese para destacar os nomes da divisão turística do estado. São realmente nomes inspirados, como Costa das Baleias e do Descobrimento, Chapada Diamantina, Costa do Dendê e dos Coqueiros.

Voltando à Linha Verde. Para almoçar, sugiro o simples Mar Aberto, em Arembepe, considerado por muita gente a melhor moqueca da Bahia. Depois vá seguindo a rodovia até a fronteira com Sergipe. Não deixe de parar nos mirantes na beira da estrada para tomar água-de-coco e apreciar a vista privilegiada. Se depender de mim, passe longe de Costa do Sauípe. A não ser que você goste de Aruba ou Cancún.

Como sou um baiano apressado, reservo apenas três dias para a Costa dos Coqueiros (nome dessa região). Para dar uma variada no visual, pegue um aviãozinho e siga para Lençóis, na Chapada Diamantina. A cidade, que fica a 424 km de Salvador, foge completamente da visão praieira que os turistas costumam ter da Bahia. Aqui estão os três pontos mais altos do estado e nascem 90% dos rios baianos. É, portanto, um lugar para quem gosta de trilhas, de rapel, banho de cachoeira. Curtir aquela paz de espírito. E isso a meia hora de vôo de Salvador.

Anotem aí lugares da Chapada que certamente vocês nunca vão esquecer: Cachoeira da Fumaça, Escorregadeira do Ribeirão do Meio, Poço Encantado e Morro do Pai Inácio. Para quem gosta de isolamento, vale a pena dar um pulo no Capão e alugar um chalé na pousada de Manu. Mas vamos voltar logo a Salvador para aproveitar um pouco mais da Cidade da Bahia. Três dias na Costa dos Coqueiros, quatro dias na Chapada... uns três “comendo água” em Salvador.

Minha primeira dica na capital é alugar uma lancha e ancorar perto do Iate Clube, no pé do Corredor da Vitória. Não tem banho de mar melhor. Depois siga para a cachoeirinha da Ponte do Funil, lá no outro lado da Ilha de Itaparica. São apenas 30 milhas náuticas de distância.

De volta ao continente você pode comer umas três dúzias de lambreta na Pedra Furada ou uma moqueca de carne no Porto do Moreira. Não pode faltar, é claro, muito acarajé com pimenta, caranguejo e cerveja gelada.

Como já estão terminando meus quatro mil toques dados pelo editor desta revista, fico por aqui. Sem antes deixar de indicar Trancoso para os solteiros ou Boipeba e Barra Grande para os casais apaixonados. Mas tem também Morro de São Paulo, Itacaré, Praia do Forte, Mangue Seco, Canavieiras (e sua inesquecível cabeça de robalo), Ilhéus, Rio de Contas, o Parque Nacional de Abrolhos, Cachoeira e São Félix... Pensando bem, quem quiser mais dicas que me mande um e-mail. Vou ter o maior prazer de responder.

Fonte: Revista Propaganda 657

 

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